Se você acompanha o universo da IA, já deve ter se perguntado: o que acontece quando a máquina supera a gente em quase tudo?
Sam Altman, CEO da OpenAI, pensa nisso. E com urgência.
Segundo o site The Information, ele descreveu a funcionários três "cenários finais" para tentar tornar segura a corrida rumo à superinteligência — uma IA mais capaz do que humanos em quase tudo. A informação foi repercutida pela coluna IAgora?, de Gabriel Francisco Ribeiro, do UOL.
O tom do CEO mistura urgência e desconforto. As saídas vão de um "fiscal global" a um mundo em que um único vencedor concentra poder demais.
Por que o plano de Sam Altman para a superinteligência importa agora
> "As saídas vão de um 'fiscal global' a um mundo em que um único vencedor concentra poder demais."
A superinteligência é o alvo declarado das principais empresas de IA. Discutir o "cenário final" antes de chegar lá é, na leitura de Altman, uma questão de segurança.
Na prática, os três planos giram em torno da mesma dúvida: quem fiscaliza quem constrói a tecnologia mais poderosa do mundo?
E nenhum dos cenários é simples de executar.
Cenário 1: uma "AIEA da IA"
O primeiro plano inspira-se na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), criada para fiscalizar o uso da energia nuclear.
Funciona assim:
- Organização internacional: com poder para impor padrões de segurança a quem desenvolve os modelos mais avançados
- Mecanismos de controle: inspeções, auditorias e monitoramento de recursos usados para treinar IA, como capacidade de computação e consumo de energia
- Condição essencial: cooperação entre países — inclusive os que também correm para fazer modelos de ponta, como a China
Segundo duas fontes ouvidas pelo The Information, seria a opção que Altman pareceu preferir.
Cenário 2: o "plano Demis"
O segundo cenário é inspirado numa ideia antiga de Demis Hassabis, chefe do Google DeepMind: criar algo como o CERN, o grande centro de pesquisa europeu, para IA.
Na versão descrita por Altman, os principais laboratórios se fundiriam em uma única entidade — ou trabalhariam sob um mesmo "guarda-chuva" — que forneceria modelos para países que topassem cooperar.
A lógica é reduzir a corrida "cada um por si" e concentrar o desenvolvimento em um arranjo coletivo.
Só que nem tudo são flores: isso exigiria um nível de coordenação entre empresas e governos que hoje parece distante.
Cenário 3: o "plano Eliezer"
E aqui o cenário fica sombrio.
Batizado em referência ao teórico de segurança em IA Eliezer Yudkowsky, esse plano descreve um laboratório que chega a uma IA que melhora a si mesma. Com isso, acumula tanto poder econômico que passa a negar capacidade de computação aos concorrentes.
> "Altman teria usado a expressão 'derreter as GPUs de todo mundo' — e dito que 'obviamente' acha essa opção 'terrível'."
Na versão mais extrema, esse vencedor conseguiria até "desligar" ou inviabilizar a computação dos outros.
De acordo com o relato, Altman teria citado o cenário "por completude". Uma fonte ainda teria dado detalhes adicionais ao site The Decoder sobre a reação do CEO, mas o conteúdo da coluna não traz a conclusão desse trecho.
O que os cenários de superinteligência da OpenAI mudam pra você?
Para o usuário comum, nada muda hoje. Os três cenários são discussões internas sobre governança da IA, não anúncios de produto.
Mas o debate importa. As decisões sobre quem controla a superinteligência vão definir como essa tecnologia vai afetar trabalho, economia e poder geopolítico.
E vale lembrar: os relatos vêm de fontes ouvidas pelo The Information e compiladas pela coluna IAgora?. A OpenAI não confirmou oficialmente os detalhes.
Talvez a grande questão não seja qual cenário vai vencer. É se alguém terá poder de escolha quando a disputa chegar ao fim.
Qual dos três planos você acha mais plausível — o fiscal global, o consórcio coletivo ou o vencedor único?