Presidente da Uber afirma que gastos com IA estão difíceis de justificar
Executivo levanta dúvidas sobre o retorno financeiro imediato dos altos investimentos em inteligência artificial no setor corporativo.

Quatro meses. Esse foi o tempo que o orçamento anual de Inteligência Artificial da Uber durou em 2026.
A empresa gastou todo o seu planejamento financeiro para o ano em tempo recorde.
E agora, a diretoria quer saber para onde foi esse dinheiro.
O orçamento que evaporou rápido demais
> "É difícil traçar uma linha clara entre os gastos com IA e a entrega de recursos reais para o consumidor."
A frase de Andrew Macdonald, presidente e COO da Uber, resume o clima de incerteza.
Em entrevista ao podcast *Rapid Response*, o executivo revelou que a conta não está fechando.
Segundo a Fonte original, a empresa não vê um retorno claro sobre o investimento pesado.
O problema não é apenas o valor gasto, mas a falta de resultados práticos.
Macdonald destacou que o consumo de tokens disparou, mas as melhorias no app não acompanharam o ritmo.
O que são os tokens?
No mundo da IA, tokens são como pedaços de palavras ou códigos processados pelo sistema.
Quanto mais a IA trabalha, mais tokens ela consome e mais caro fica o serviço.
Na Uber, esse consumo saiu do controle antes do esperado.
O dilema do Claude Code no desenvolvimento
Um dos grandes vilões desse gasto acelerado foi o uso do Claude Code.
A ferramenta é usada por desenvolvedores para automatizar a escrita de códigos de programação.
No papel, isso deveria tornar a equipe mais rápida e eficiente.
Na prática, Macdonald afirma que o link entre o uso da ferramenta e a produtividade é inexistente.
Os engenheiros estão consumindo mais recursos de IA, mas o produto final não mudou drasticamente.
Isso levanta uma questão fundamental para o setor de tecnologia.
Será que as empresas estão apenas jogando dinheiro em ferramentas sem saber como usá-las?
Para gigantes como a Microsoft, vender essas ferramentas é o negócio principal.
Mas para quem compra, como a Uber, o prejuízo pode ser grande.
Produtividade ou apenas custo alto?
O mercado de tecnologia vive uma euforia com a IA generativa há pelo menos dois anos.
Empresas como o Google investem bilhões para integrar IA em tudo.
A Uber seguiu o mesmo caminho, esperando que a tecnologia resolvesse problemas complexos.
Confira os principais pontos de atrito citados pelo executivo:
- Consumo de tokens: Aumento explosivo sem justificativa de entrega.
- Recursos ao consumidor: Pouca percepção de melhora para quem usa o app.
- Orçamento esgotado: Gastos anuais realizados em apenas 120 dias.
- Falta de métricas: Dificuldade em medir o ganho real de produtividade.
Esses dados mostram que a fase de experimentação "grátis" ou sem limites acabou.
Agora, os diretores financeiros (CFOs) estão assumindo o controle das decisões de tech.
O impacto no futuro da Uber
A Uber sempre se posicionou como uma empresa de tecnologia que resolve logística.
No passado, a grande aposta foi nos carros autônomos, que também exigiram bilhões.
Agora, a Inteligência Artificial é a nova fronteira que promete automação total.
Mas Macdonald sugere que a empresa pode pisar no freio se os resultados não aparecerem.
> "A conexão entre o uso de IA e a produtividade não está lá de forma clara."
Essa declaração pode influenciar outras empresas do setor de transporte e entrega.
Se a Uber não consegue justificar o gasto, startups menores terão ainda mais dificuldade.
O cenário sugere uma reavaliação completa de como os modelos de linguagem (LLMs) são usados.
O mercado começa a cobrar resultados reais
Investidores não querem mais ouvir apenas a palavra "IA" nas apresentações de resultados.
Eles querem ver margens de lucro maiores e custos operacionais menores.
A Uber, que levou anos para se tornar lucrativa, não pode se dar ao luxo de desperdiçar caixa.
O esgotamento do orçamento em abril serve como um alerta para todo o ecossistema.
Isso indica que a eficiência dos modelos atuais ainda é um desafio técnico e econômico.
A arquitetura dos sistemas de IA ainda exige muito processamento para tarefas que humanos fazem rápido.
Enquanto essa conta não baixar, o ceticismo de executivos como Macdonald só tende a crescer.
O veredito
A Inteligência Artificial é poderosa, mas não é um cheque em branco.
O caso da Uber mostra que a implementação técnica é apenas metade do desafio.
A outra metade é fazer com que a tecnologia se pague no final do mês.
Se o ritmo de gastos continuar assim, veremos um corte severo nas assinaturas de ferramentas de IA.
O futuro da IA no mundo corporativo depende menos de "magia" e mais de matemática financeira.
Qual será a próxima grande empresa a admitir que a conta da IA não está fechando?
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Fonte: Google News
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