Deepfakes sexuais gerados por inteligência artificial. Vítimas reais. E uma empresa bilionária no banco dos réus.
A xAI, de Elon Musk, enfrenta uma onda crescente de ações judiciais por conteúdo sexual não consensual criado pelo Grok, sua ferramenta de IA.
E o caso está longe de ser isolado.
O caso que abriu a porteira
> "Imagens dela de biquíni e um vídeo gerado por IA que a mostrava sendo cloroformizada e preparada para uma agressão sexual."
A parlamentar britânica do Partido Trabalhista, Jess Asato, foi a primeira a tomar uma atitude pública. Ela processou a xAI por danos após descobrir que o Grok havia gerado e permitido a circulação de imagens sexualizadas falsas dela.
O caso de Asato funciona como um "test case" — uma ação judicial que abre precedente para outras vítimas.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Novas vítimas aparecem
Segundo o The Guardian, novas vítimas procuraram o advogado de Asato na quinta-feira, logo após a repercussão do caso na imprensa.
Ravi Naik, diretor jurídico do escritório AWO, confirmou que já atua em nome de "múltiplos indivíduos" que querem processar a empresa de Musk.
O número exato de novos reclamantes não foi divulgado, mas Naik descreveu como "um punhado" de pessoas que entraram em contato.
Todas relatam o mesmo problema: conteúdo degradante e não consensual gerado pelo Grok.
A dificuldade de remover o conteúdo
Um detalhe agrava a situação. Muitas das vítimas já haviam tentado fazer com que o X (antigo Twitter) removesse as imagens.
Sem sucesso.
Isso sugere que a plataforma de Musk não tem mecanismos eficientes — ou vontade — de combater esse tipo de abuso gerado por sua própria ferramenta de IA.
O que diz a lei
A ação de Jess Asato argumenta que a xAI violou a lei de proteção de dados do Reino Unido.
O argumento central é direto: ao permitir que o Grok gerasse imagens sexualizadas usando dados pessoais da parlamentar, a empresa violou sua privacidade.
Proteção de dados como arma jurídica
Essa estratégia é relevante porque não depende de leis específicas sobre deepfakes — que ainda são escassas em muitos países.
Usar a legislação de proteção de dados já existente pode ser um caminho mais rápido para responsabilizar empresas de IA.
Se o caso de Asato for bem-sucedido, ele cria um precedente poderoso para vítimas em todo o Reino Unido.
Por que o Grok é diferente
A maioria dos grandes modelos de linguagem (LLMs) e geradores de imagem implementa filtros para bloquear conteúdo sexual explícito.
O Grok, desde seu lançamento, se posicionou como uma alternativa com menos restrições de conteúdo.
Essa filosofia de "liberdade máxima" agora cobra seu preço nos tribunais.
O problema da moderação
Ferramentas de IA generativa sem filtros robustos se tornam, na prática, máquinas de produção de deepfakes.
E quando essas ferramentas usam dados públicos de pessoas reais — fotos, vídeos, informações pessoais — o potencial de abuso é enorme.
O caso Asato expõe essa falha de forma brutal.
O cenário mais amplo
O problema de deepfakes sexuais não é exclusivo do Grok. Mas a falta de filtros adequados torna a ferramenta de Musk um alvo especialmente vulnerável a ações judiciais.
Segundo a reportagem original do Guardian, o escritório AWO já se prepara para uma ação coletiva mais ampla.
Legislação em debate
Vários países discutem leis específicas para deepfakes. O Reino Unido já criminalizou a criação de deepfakes sexuais em determinadas circunstâncias.
Mas a aplicação ainda é lenta. E as vítimas continuam expostas enquanto a legislação tenta acompanhar a tecnologia.
Sem resposta da xAI
Até o momento da publicação da reportagem, a fonte não menciona qualquer resposta oficial da xAI ou de Elon Musk sobre as novas ações.
O silêncio é significativo. Especialmente quando o número de vítimas está crescendo.
O que muda pra você?
Esse caso vai além de uma disputa legal entre uma parlamentar e um bilionário.
Ele testa se as leis atuais conseguem proteger pessoas comuns contra abusos cometidos por ferramentas de IA generativa.
Se Asato vencer, o precedente pode forçar empresas como a xAI a implementar filtros mais rígidos — ou enfrentar processos em série.
A tecnologia avançou rápido demais. A pergunta agora é se a Justiça consegue alcançá-la.