Departamento de Comércio adia inclusão de empresas chinesas na Entity List
O Departamento de Comércio dos EUA decidiu não adicionar a DeepSeek, CXMT e mais de 100 outras empresas chinesas à Entity List. A medida visa evitar a escalada das tensões com a China.

# Departamento de Comércio adia inclusão de empresas chinesas na Entity List
O Departamento de Comércio dos EUA adiou a inclusão da DeepSeek, da CXMT e de mais de 100 outras empresas chinesas na Entity List, a lista negra de exportações do governo americano. Segundo reportagens do *Reuters* e do *Financial Times* publicadas em maio de 2025, algumas dessas empresas foram identificadas como intermediárias no fornecimento de chips da NVIDIA para universidades e instituições de pesquisa chinesas. A decisão de postergar a medida reflete o objetivo de evitar uma escalada imediata nas tensões comerciais com a China, em um momento particularmente sensível para a diplomacia entre as duas maiores economias do mundo.
Motivos para o adiamento da Entity List
A decisão do Departamento de Comércio sinaliza uma calibragem estratégica na política de controle de exportações dos EUA. A Entity List, administrada pelo Bureau of Industry and Security (BIS), impõe restrições que exigem licenças especiais para qualquer empresa americana que deseje comercializar produtos ou tecnologias com as entidades listadas. Na prática, a inclusão equivale a um bloqueio comercial quase total.
Ao adiar a adição de mais de 100 empresas chinesas, o governo americano parece ponderar o custo-benefício geopolítico da medida. A inclusão em massa poderia provocar retaliações imediatas de Pequim, comprometendo negociações em andamento sobre tarifas, acesso a mercados e cooperação em áreas como mudanças climáticas. Fontes familiarizadas com o processo indicaram que a Casa Branca solicitou ao Departamento de Comércio uma revisão adicional antes de qualquer ação definitiva.
Impacto nas relações comerciais EUA-China
O adiamento ocorre em um cenário já marcado por fricções comerciais intensas. Desde 2018, os EUA impuseram tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos chineses, e a China respondeu com contramedidas proporcionais. Em 2025, as tarifas americanas sobre importações chinesas chegaram a patamares superiores a 145% em algumas categorias de produtos, segundo dados do Office of the United States Trade Representative (USTR).
A decisão de não ampliar a Entity List neste momento pode ser interpretada como uma tentativa de preservar espaço para negociação. Analistas de política comercial apontam que a inclusão simultânea de mais de 100 empresas poderia ser percebida por Pequim como uma provocação deliberada, reduzindo a margem para acordos bilaterais em semicondutores e inteligência artificial.
Empresas envolvidas e suas atividades no setor de tecnologia
Entre as empresas citadas, duas se destacam pela relevância estratégica no ecossistema tecnológico global.
A DeepSeek ganhou notoriedade internacional em janeiro de 2025 ao lançar o modelo de inteligência artificial DeepSeek-R1, que demonstrou desempenho competitivo com modelos ocidentais de fronteira a uma fração do custo de treinamento. A empresa, sediada em Hangzhou, tornou-se símbolo da capacidade chinesa de inovar em IA mesmo sob restrições de acesso a chips avançados.
A CXMT (ChangXin Memory Technologies), com sede em Hefei, é a principal fabricante chinesa de chips de memória DRAM. A empresa é considerada peça-chave na estratégia de Pequim para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros como Samsung, SK Hynix e Micron. Segundo estimativas da TrendForce, a CXMT detinha cerca de 3% do mercado global de DRAM no início de 2025.
Investigações do Departamento de Comércio identificaram que algumas dessas empresas atuaram como intermediárias na aquisição de GPUs da NVIDIA — incluindo modelos das séries A100 e H100, cujas exportações para a China foram restringidas desde outubro de 2022 — destinadas a universidades e laboratórios de pesquisa chineses.
Reações do mercado e expectativas futuras
A decisão foi recebida com alívio moderado pelos mercados. Ações de empresas americanas de semicondutores com exposição significativa ao mercado chinês, como a própria NVIDIA e a Qualcomm, registraram estabilidade nos pregões seguintes ao anúncio, evitando a volatilidade que costuma acompanhar expansões da Entity List.
No entanto, especialistas em segurança nacional alertam que o adiamento não significa abandono da medida. O BIS mantém as empresas sob avaliação ativa, e uma inclusão futura permanece provável caso surjam evidências adicionais de desvio de tecnologias controladas. O Congresso americano, por sua vez, tem pressionado por uma postura mais assertiva, com legisladores de ambos os partidos defendendo restrições mais amplas ao setor de tecnologia chinês.
A postura do Departamento de Comércio dos EUA revela o dilema central da política tecnológica americana em relação à China: equilibrar a proteção da segurança nacional com a necessidade de evitar rupturas comerciais que prejudicariam empresas e cadeias de suprimento americanas. O adiamento da inclusão na Entity List é, antes de tudo, uma decisão tática — não uma mudança de direção estratégica.
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