Criador do Claude Code discute o futuro da engenharia de software e automação
Boris Cherny, da Anthropic, prevê mudanças no mercado de trabalho; edição aborda ainda políticas de Trump para IA e nova encíclica papal.

Imagine abrir seu editor de código amanhã e perceber que sua função mudou para sempre.
Boris Cherny não escreve uma linha de código manualmente há mais de seis meses.
Para o criador do Claude Code, a programação tradicional já é um problema resolvido.
Essa afirmação pode soar como heresia para muitos desenvolvedores veteranos.
No entanto, ela vem de uma das mentes mais influentes da Anthropic no momento.
Cherny acredita que estamos testemunhando o fim da engenharia de software como a conhecemos hoje.
Mas calma, isso não significa necessariamente o fim dos empregos no setor.
O fim do engenheiro tradicional
> "Eu não acho que vamos chamá-los de engenheiros. Mas haverá 100 vezes mais pessoas criando código usando agentes."
De acordo com a reportagem original da Platformer, Cherny prevê uma mudança drástica de nomenclatura.
O título de "engenheiro de software" pode começar a desaparecer já no final de 2025.
Em seu lugar, surge uma nova categoria de profissionais: os Builders (construtores).
Essa mudança reflete a democratização da capacidade técnica através da inteligência artificial generativa.
A ascensão do Claude Code
O Claude Code é descrito como a ferramenta de codificação baseada em agentes que mais cresce no mundo.
Diferente de assistentes simples, ele atua de forma autônoma em tarefas complexas de desenvolvimento.
Cherny, que lidera o projeto, afirma que a ferramenta já automatiza grande parte de sua própria função.
Isso permite que profissionais foquem na lógica e no produto, em vez da sintaxe pura.
Por que codar está "resolvido"
Para Cherny, o ato de escrever linhas de código tornou-se uma tarefa de baixa complexidade para máquinas.
Ele argumenta que, para o tipo de trabalho que realiza, a IA já atingiu a maturidade necessária.
Essa visão é compartilhada por outros líderes que veem a IA como um multiplicador de força.
A transição de "escrever código" para "gerenciar agentes que escrevem código" é o ponto central.
Isso permite que designers e gerentes de produto comecem a entregar funcionalidades completas sem ajuda técnica.
O perfil de Boris Cherny
Cherny não é um entusiasta comum de tecnologia, seu currículo traz um peso estratégico considerável:
- Formação: Estudou economia e abandonou a faculdade aos 18 anos.
- Experiência: Passou cinco anos como engenheiro principal na Meta.
- Atualidade: Ingressou na Anthropic em setembro de 2024 para liderar a revolução do código.
Sua trajetória sugere que a compreensão econômica do mercado é tão importante quanto a técnica.
O mercado de trabalho em 2025
A previsão de Cherny é otimista em relação ao volume de profissionais, mas cautelosa sobre as funções.
Ele acredita que a barreira de entrada para criar software cairá drasticamente nos próximos meses.
Isso criará uma explosão de novos serviços e ferramentas digitais criadas por não-programadores.
No entanto, a pressão sobre os salários de desenvolvedores juniores pode aumentar significativamente.
Aqueles que se limitarem a tarefas mecânicas correm o risco real de obsolescência rápida.
O contraponto de outros gigantes
Nem todos no Vale do Silício compartilham dessa visão de automação total e imediata.
Aaron Levie, CEO da Box, argumenta que a "última milha" do trabalho humano é a mais difícil.
Para Levie, existem nuances na tomada de decisão que a IA ainda não consegue replicar.
James Manyika, do Google, também defende que a tecnologia melhora a automação de tarefas, não de empregos inteiros.
Essa divergência de opiniões mostra que o futuro ainda está sendo escrito em tempo real.
Tarefas vs. Empregos
- Visão Google: IA substitui processos repetitivos dentro de uma função.
- Visão Anthropic: IA redefine a própria existência da função técnica.
- Visão Box: O julgamento humano permanece essencial para o sucesso do projeto.
Geopolítica e Ética: Trump e o Vaticano
Além das mudanças técnicas, o cenário político e moral da IA também está se transformando.
Donald Trump sinalizou recentemente o abandono de uma ordem executiva importante sobre IA.
Essa decisão pode indicar um período de menor regulamentação governamental nos Estados Unidos.
Isso pode acelerar o desenvolvimento, mas levanta preocupações sobre segurança e vieses.
A voz da Igreja
Até o Vaticano entrou na discussão com uma nova encíclica papal focada em inteligência artificial.
O documento aborda a necessidade de uma "algoretica" — uma ética aplicada aos algoritmos.
A Igreja expressa preocupação com o impacto da automação na dignidade do trabalho humano.
Essa convergência de tecnologia, política e religião mostra que a IA não é mais apenas um tema de nicho.
> "A tecnologia deve servir ao humano, e não o contrário, especialmente em um mundo automatizado."
O veredito
O futuro da engenharia de software não parece ser um deserto de empregos, mas uma nova fronteira.
O papel do "builder" exigirá mais visão estratégica e menos decoreba de sintaxe de linguagens.
A transição será dolorosa para quem resistir ao uso de agentes como o Claude Code.
No entanto, para quem souber surfar a onda, as oportunidades de criação serão infinitas.
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Fonte: Google News
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