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Se você acompanha a corrida pela infraestrutura de inteligência artificial, anote mais um número gigantesco na sua planilha.
A Anthropic, empresa por trás do chatbot Claude, negocia com a Nscale um contrato de infraestrutura de IA que pode alcançar US$ 45 bilhões. A informação é de pessoas próximas às negociações, segundo revelou o BP Money.
O alvo é um segundo data center no complexo Monarch, na Virgínia Ocidental. E, segundo as fontes, o acordo pode ser fechado nos próximos dias.
Por que a Anthropic quer mais um data center da Nscale
> "As duas companhias já mantêm contratos de infraestrutura que somam aproximadamente US$ 44,6 bilhões."
A Anthropic precisa de mais poder computacional para treinar e operar seus modelos de inteligência artificial. Não é segredo para ninguém que capacidade de processamento virou o recurso mais disputado do setor.
Do outro lado está a Nscale, empresa de computação em nuvem apoiada pela Nvidia. A companhia quer ampliar sua operação nos Estados Unidos — e o complexo Monarch é a peça central dessa expansão.
Os valores dos acordos já firmados entre as duas empresas aparecem em documentos regulatórios relacionados à oferta pública inicial de ações (IPO) da Nscale. Ou seja, não são números vazados informalmente: estão em papel oficial.
Segundo grande acordo no Monarch
Se confirmado, o novo contrato será o segundo grande acordo entre a Anthropic e a Nscale no complexo Monarch.
E há um detalhe extra que chama atenção: a Anthropic poderá obter preferência na contratação de um terceiro prédio que a Nscale planeja construir no mesmo campus.
Na prática, isso significa que a empresa estaria garantindo espaço para crescer ainda mais no futuro — antes mesmo de o segundo prédio ficar pronto.
Segundo fontes ouvidas sob anonimato, as empresas podem concluir o acordo nos próximos dias. Mas as negociações continuam e ainda podem sofrer alterações.
O que o novo prédio entrega
Vista aérea do complexo de data centers Monarch, na Virgínia Ocidental, onde a Nscale expande sua operação (Fonte: NeoFeed/Divulgação)
460 megawatts de capacidade
O novo edifício do complexo Monarch poderá oferecer 460 megawatts de capacidade computacional.
Em geral, quando se fala em megawatts dedicados a IA, não está se falando apenas de servidores ligados na tomada. Está se falando de energia elétrica bruta para alimentar milhares de chips rodando em escala industrial, 24 horas por dia.
É por isso que esses acordos envolvem valores bilionários: o contrato cobre energia, refrigeração, prédio e hardware — tudo junto.
Chips Vera Rubin da Nvidia
Para sustentar a operação, a Nscale pretende utilizar os chips de inteligência artificial Vera Rubin, desenvolvidos pela Nvidia.
Aqui há uma camada interessante na história. A Nvidia não é apenas fornecedora de chips: ela também aparece como apoiadora da própria Nscale. Ou seja, a fabricante de hardware está posicionada em pontos diferentes da mesma cadeia.
Para a Anthropic, o uso dos chips mais recentes da Nvidia significa acesso à geração atual de hardware de treino — o tipo de equipamento que define quem consegue treinar modelos maiores e mais rápidos.
Resumo do que se sabe até agora sobre o acordo:
Valor negociado: até US$ 45 bilhões
Local: segundo data center no complexo Monarch, na Virgínia Ocidental
Capacidade: 460 megawatts de poder computacional
Chips: Vera Rubin, da Nvidia
Acordos já firmados: aproximadamente US$ 44,6 bilhões
Extra: preferência possível da Anthropic em um terceiro prédio do campus
Prazo: conclusão pode ocorrer nos próximos dias
A saída da Microsoft que mudou o jogo
Aqui está um dos bastidores mais interessantes dessa história.
Inicialmente, a Microsoft ocuparia parte das instalações do Monarch. Em março, a companhia chegou a anunciar uma carta de intenções para participar do projeto.
Com a decisão, a Anthropic ganhou espaço para ampliar sua presença no complexo. O vazio deixado por uma gigante virou a oportunidade de expansão de sua rival direta na disputa por modelos de IA de ponta.
> "Quando estiver totalmente concluído, o complexo Monarch poderá ultrapassar 8 gigawatts de capacidade elétrica bruta."
Esse número dá a dimensão do projeto. 8 gigawatts colocam o Monarch entre os maiores complexos de data centers de IA dos Estados Unidos, conforme os próprios documentos do IPO da Nscale.
O IPO da Nscale e a corrida pela computação
Os valores dos contratos com a Anthropic vieram à público por um caminho pouco comum: documentos regulatórios da oferta pública inicial de ações da Nscale.
Quando uma empresa se prepara para abrir capital, ela precisa detalhar contratos relevantes, dependências e riscos. Foi nesse pacote de informações que apareceram os aproximadamente US$ 44,6 bilhões já firmados entre as duas companhias.
O movimento mostra como o mercado de computação em nuvem para IA se reorganizou nos últimos tempos. Em geral, quem detém capacidade instalada — prédios prontos, energia contratada e chips no chão — passa a ditar o ritmo das negociações com as empresas de modelos.
A Nscale se encaixa nesse perfil. Apoiada pela Nvidia, a companhia construiu sua proposta exatamente em torno de oferecer capacidade computacional dedicada a IA em grande escala.
E a pressa faz sentido. Quem garante energia e espaço físico hoje assegura a possibilidade de treinar os modelos de amanhã. Quem espera, corre o risco de ficar sem cadeira quando a música parar.
Por que o acordo Anthropic-Nscale importa para o setor
O acordo entre Anthropic e Nscale ajuda a explicar uma tendência que vem moldando o setor de inteligência artificial.
As empresas de modelos — aquelas que criam e operam os sistemas de IA — deixaram de depender apenas de nuvens tradicionais. Elas passaram a fechar contratos diretos com operadores de data centers, garantindo capacidade exclusiva para seus próprios modelos.
No caso da Anthropic, o complexo Monarch se torna uma peça estratégica dupla:
Capacidade imediata: o segundo prédio, com 460 MW e chips Vera Rubin
Crescimento futuro: possível preferência sobre um terceiro prédio no campus
Somado aos contratos já existentes, o novo acordo consolidaria a presença da Anthropic no complexo em um momento em que a disputa por computação define quem consegue competir na fronteira da IA.
E há ainda o efeito colateral da saída da Microsoft: uma mudança de planos de uma gigante abriu caminho para que uma rival ocupasse o espaço. Em infraestrutura de IA, timing vale tanto quanto capital.
Chips de IA da Nvidia, tecnologia que sustentará a operação do novo data center do complexo Monarch (Fonte: Nvidia/Divulgação)
O que ainda não está confirmado
Apesar da grandiosidade dos números, é importante separar o que é fato do que ainda está em aberto.
Procuradas, Anthropic e Nscale não comentaram o assunto. Ou seja, nenhuma das empresas confirmou oficialmente os termos da negociação.
Além disso, as fontes ouvidas sob anonimato deixam claro que as negociações continuam e ainda podem sofrer alterações. O valor final, as condições contratuais e o cronograma detalhado de construção não foram divulgados.
A fonte também não detalha quando o novo prédio começaria a operar de fato, nem como seria dividida a capacidade entre os clientes da Nscale no campus.
Em resumo, o que existe hoje é:
Confirmado por documentos: contratos já firmados somam cerca de US$ 44,6 bilhões
Em negociação: novo contrato de até US$ 45 bilhões
Sem confirmação oficial: nenhuma das empresas comentou
Sujeito a mudança: termos ainda podem ser alterados
O que o acordo Anthropic-Nscale muda pra você?
Para quem trabalha com tecnologia, esse tipo de acordo raramente aparece nos headlines — mas define o que chega às suas mãos nos próximos anos.
Mais capacidade computacional para a Anthropic significa, potencialmente, modelos mais poderados do Claude no futuro. A disputa por infraestrutura é, no fim das contas, a disputa pelos produtos que você vai usar.
Para o mercado, o acordo reforça uma lógica já clara: a competição por IA se tornou, antes de tudo, uma competição por energia, espaço físico e chips.
Qual é o teto dessa corrida, afinal?
Se os contratos bilionários já somam dezenas de bilhões em um único complexo, ninguém sabe com precisão onde essa curva para. Nos próximos dias, saberemos se o acordo se confirma — e aí o mapa da computação em IA nos Estados Unidos ganha mais uma peça de peso.
E você, como vê essa corrida bilionária por infraestrutura de IA? Deixe seu comentário abaixo.