Se você acompanha o universo da inteligência artificial, já deve ter visto dezenas de previsões sobre a AGI — e provavelmente desconfia de todas. Dessa vez, porém, quem falou foi Demis Hassabis, cofundador e presidente do Google DeepMind.
Segundo reportagem do Agora Litoral, ele estima que a inteligência artificial geral pode se tornar realidade em dois ou três anos. O prazo encolheu. No início de 2026, o mesmo executivo projetava a chegada da tecnologia em um intervalo de três a cinco anos.
Agora, a estimativa foi acelerada. Isso explica por que o mercado está atento.
Por que um dos cientistas mais respeitados do mundo está apressando o próprio prognóstico? Ele não está apenas ajustando números; está reagindo a um ritmo de avanço que ele próprio percebe como mais acelerado do que o planejado no começo do ano.
Antes de avaliar o prazo, vale entender quem o está dando. Hassabis não é um futurista de palco nem um analista de mercado. Ele é o cientista-chefe da Alphabet, controladora do Google, e comanda o DeepMind, um dos laboratórios de pesquisa em IA mais influentes do planeta.
Quando ele fala sobre AGI, a indústria ouve — e com razão. A declaração foi dada em entrevista concedida ao Wall Street Journal, conforme destacado pelo Agora Litoral.
> "A inteligência artificial geral poderá se tornar uma realidade em um horizonte de apenas dois ou três anos, conforme avalia Demis Hassabis."
A mudança de estimativa é o ponto mais interessante da notícia. Em poucos meses, a janela prevista passou de três a cinco anos para apenas dois ou três. Isso sugere que o executivo enxerga um ritmo de avanço maior do que o esperado no começo do ano.
Vale lembrar: previsões sobre AGI são notoriamente voláteis. Executivos da área revisam prazos com frequência, para cima ou para baixo. Ainda assim, um encurtamento vindo justamente de quem constrói os modelos mais avançados é um sinal que o mercado tende a levar a sério.
O termo ainda pertence ao campo teórico, mas o conceito é objetivo. Na definição detalhada por Hassabis na entrevista, a AGI será uma plataforma dotada de habilidades cognitivas equivalentes às humanas, superando o desempenho restrito a tarefas pontuais.
Na prática, a expectativa é criar ferramentas capazes de:
- Aprender de forma autônoma
- Raciocinar sobre problemas complexos
- Solucionar múltiplos problemas sem depender de instruções específicas para cada um
É a diferença entre um sistema que escreve textos ou gera imagens e um sistema que entende, planeja e age de forma geral.
Aqui está a parte mais provocativa da declaração. Para atestar o surgimento da AGI, Hassabis adota um parâmetro extremamente exigente, conhecido como teste de Einstein.
> "O método consiste em alimentar o sistema exclusivamente com o acervo científico acumulado pela humanidade até o ano de 1901."
A lógica é simples de explicar e brutal de executar. O sistema recebe todo o conhecimento científico disponível até 1901. Depois, é avaliado: ele seria capaz de deduzir, por conta própria, as inovações que Albert Einstein publicou em 1905?
Entre elas está a teoria da relatividade especial, um dos marcos da física moderna. Ou seja: o teste verifica se a máquina consegue recriar, sozinha, um dos maiores saltos intelectuais da história da ciência.
O critério expõe uma limitação concreta da tecnologia de hoje. A avaliação busca mensurar uma habilidade que os modelos atuais ainda não possuem: a destreza para gerar novos conhecimentos científicos genuínos.
Os sistemas atuais são excelentes em sintetizar informações já existentes. Criar conhecimento original, a partir do zero, é outro patamar. É exatamente essa lacuna que torna a previsão de Hassabis tão relevante. Essa é, segundo o executivo, a fronteira que separa a IA de hoje da AGI de amanhã.
A previsão acelerada não veio acompanhada apenas de otimismo. De acordo com o Agora Litoral, Hassabis também defende rigorosos critérios de segurança para a chegada da tecnologia.
O ponto importa: quanto mais próximo o prazo, mais urgente se torna a discussão sobre como desenvolver e liberar um sistema com capacidades cognitivas comparáveis às humanas. A fonte, porém, não detalha quais critérios específicos o executivo propõe.
Como toda previsão, a declaração levanta mais perguntas do que respostas. A fonte não menciona:
- Como o prazo encurtado foi calculado
- Quais produtos do Google poderiam incorporar capacidades de AGI
- Que critérios de segurança concretos foram propostos
- Se há testes internos em andamento no DeepMind
Além disso, o próprio conceito de AGI segue teórico. Não existe, até agora, um consenso técnico fechado sobre como medi-la — o teste de Einstein é a métrica pessoal adotada por Hassabis, não um padrão da indústria.
O que a contagem regressiva do Google significa para o resto do mercado?
Se a estimativa se confirmar, o impacto vai além do meio técnico. Uma plataforma com habilidades cognitivas equivalentes às humanas mudaria a forma como se trabalha, se pesquisa e se produz ciência. E mudaria rápido, se o prazo de dois ou três anos se sustentar.
Para desenvolvedores e pesquisadores, o horizonte curto significa que a janela de preparação também é curta. Para o público geral, é mais um sinal de que a corrida global pela AGI está acelerando — agora com o Google declarando publicamente sua própria contagem regressiva.
O que a previsão de Hassabis muda para o planejamento da Alphabet?
Por outro lado, previsões de AGI já erraram para os dois lados. Céticos subestimaram o progresso dos modelos de linguagem; otimistas prometeram marcos que não chegaram. O que torna esta declaração relevante não é a data em si, mas quem a dá e o critério que a acompanha.
Um prazo amarrado a um teste objetivo — gerar conhecimento científico genuíno — é mais verificável do que promessas vagas.
Se Hassabis estiver certo, em 2028 ou 2029 estaremos discutindo não mais se a AGI existe, mas como conviver com ela. Se estiver errado, o teste de Einstein continuará sendo o padrão que a indústria observa.
E você: acredita que uma máquina conseguiria, sozinha, reinventar a relatividade?