Rio 3.5 Open 397B da prefeitura do Rio de Janeiro é agora open source e supera Qwen 3.7
O modelo Rio 3.5 Open 397B, desenvolvido pela empresa de TI do governo da cidade do Rio de Janeiro, agora é open source e está superando o Qwen 3.7. A novidade surpreendeu muitos que nunca ouviram falar da iniciativa.

# Rio 3.5 Open 397B: o modelo de IA da Prefeitura do Rio de Janeiro que agora é open source e supera o Qwen 3.7
O Rio 3.5 Open 397B, modelo de inteligência artificial desenvolvido pela IplanRio — empresa municipal de informática da Prefeitura do Rio de Janeiro —, foi oficialmente disponibilizado como open source. O anúncio chamou a atenção da comunidade global de IA porque, segundo benchmarks iniciais divulgados pela equipe do projeto, o modelo está superando o Qwen 3.7 em diversas tarefas. A novidade pegou muitos de surpresa: poucos sabiam que a capital fluminense mantinha uma iniciativa própria de desenvolvimento de grandes modelos de linguagem (LLMs).
Compromisso com transparência e código aberto
A decisão de liberar o Rio 3.5 Open 397B sob licença open source representa um passo incomum para uma administração municipal. Na prática, isso significa que desenvolvedores, pesquisadores e organizações de qualquer lugar do mundo podem inspecionar o código, reproduzir resultados e contribuir com melhorias.
Esse tipo de abertura está alinhado com princípios de governo aberto defendidos por organizações como a Open Government Partnership (OGP), da qual o Brasil é membro fundador desde 2011. Ao disponibilizar publicamente os pesos e a documentação do modelo, a prefeitura permite auditoria independente — um fator crítico quando se trata de IA aplicada ao setor público, onde decisões automatizadas podem afetar diretamente a vida dos cidadãos.
A iniciativa também cria um precedente para outras prefeituras e governos estaduais que avaliam desenvolver soluções próprias de IA em vez de depender exclusivamente de fornecedores privados.
Desempenho: como o Rio 3.5 Open 397B se compara ao Qwen 3.7
O aspecto que mais gerou repercussão foi o desempenho reportado. Com 397 bilhões de parâmetros, o Rio 3.5 Open 397B compete diretamente com modelos de grande escala produzidos por empresas com orçamentos bilionários.
De acordo com os resultados compartilhados pela equipe de desenvolvimento, o modelo apresentou vantagens sobre o Qwen 3.7 — desenvolvido pelo grupo Alibaba — em benchmarks que avaliam raciocínio lógico, compreensão de texto em português e tarefas de geração de código. Esses resultados, porém, ainda aguardam validação independente por parte da comunidade, algo que a própria liberação open source agora viabiliza.
Vale destacar que o ecossistema de LLMs open source cresceu significativamente nos últimos anos. Modelos como LLaMA (Meta), Mistral e o próprio Qwen demonstraram que desempenho de ponta não é exclusividade de sistemas proprietários. O Rio 3.5 Open 397B se insere nesse movimento, mas com um diferencial: é o primeiro modelo dessa escala desenvolvido por um governo municipal.
Tecnologia a serviço da gestão pública
Além do mérito técnico, a iniciativa levanta uma questão estratégica relevante: a soberania digital de governos locais. Ao desenvolver e manter internamente um modelo de linguagem de grande porte, a Prefeitura do Rio reduz a dependência de APIs de terceiros para serviços como atendimento ao cidadão, análise de documentos públicos e automação de processos administrativos.
Esse tipo de abordagem pode gerar economia de longo prazo e maior controle sobre dados sensíveis dos cidadãos — um ponto especialmente importante à luz da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor no Brasil desde setembro de 2020.
Colaboração global e próximos passos
O lançamento open source do Rio 3.5 Open 397B posiciona a cidade do Rio de Janeiro em um mapa até então dominado por grandes centros tecnológicos como Vale do Silício, Pequim e Londres. A expectativa é que a comunidade internacional de desenvolvedores contribua com ajustes finos, avaliações de segurança e adaptações para outros idiomas e contextos.
Para que o projeto ganhe credibilidade duradoura, será essencial que a equipe da IplanRio publique documentação técnica detalhada — incluindo dados de treinamento, metodologia de avaliação e limitações conhecidas do modelo. Transparência no processo é tão importante quanto transparência no código.
O movimento da prefeitura carioca demonstra, na prática, que inovação em inteligência artificial não precisa vir exclusivamente do setor privado. Se confirmados de forma independente, os resultados do Rio 3.5 Open 397B podem inspirar administrações públicas ao redor do mundo a investirem em desenvolvimento próprio de IA — com responsabilidade, abertura e foco no interesse público.
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