Se você assiste Netflix, cerca de 300 títulos do catálogo passaram por inteligência artificial.
O número foi revelado no Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul.
A pergunta que fica: onde exatamente a IA entrou na produção?
O que a Netflix confirmou
> "A ferramenta atua na pré-visualização, no desenho de produção, na composição dos cenários, na edição e nos efeitos visuais."
A declaração é de Lee Sung-gyun, diretor de produção da empresa para a região Ásia-Pacífico.
Segundo reportagem da Band, ele detalhou as fases em que o recurso aparece no fluxo de trabalho.
Não se trata, portanto, de substituição de roteiristas ou atores.
O foco está em etapas técnicas da produção.
As etapas onde a IA entra
A empresa listou os pontos do processo em que a tecnologia tem espaço.
Confira:
- Pré-visualização: planejamento visual antes das filmagens
- Desenho de produção: criação de cenários e ambientação
- Composição de cenários: montagem de fundos e elementos
- Edição: cortes e ajustes no material bruto
- Efeitos visuais: pós-produção e finalização
Mas calma, tem mais.
A Netflix exibiu um vídeo institucional da Eyeline, sua divisão de efeitos, sobre o modelo de produção híbrida.
Esse formato reúne filmagens tradicionais, efeitos visuais e ferramentas de tecnologia generativa.
O caso de "Glory"
Entre os exemplos práticos, a empresa mostrou o uso dos recursos na composição de multidões para o filme indiano "Glory".
De acordo com Lee, equipes de pós-produção normalmente cortariam essas tomadas.
A IA teria permitido viabilizar cenas que antes seriam descartadas por custo ou logística.
A informação foi originalmente reportada pela Variety, segundo a Band.
O que ainda não está claro
A Netflix não detalhou quais dos 300 títulos usaram IA em cada etapa.
Também não informou quanto economizou com a mudança.
Não há dados públicos sobre impacto em empregos de pós-produção.
A empresa não confirmou se o modelo híbrido será padrão em produções futuras.
Por que a revelação da Netflix em Busan importa agora
A revelação acontece em um momento de debate intenso sobre IA em Hollywood.
Sindicatos de roteiristas e atores já negociaram limites para o uso da tecnologia.
A fala da Netflix em Busan sugere que a adoção interna já é maior do que o público imaginava.
E não para por aí.
O modelo híbrido pode virar referência para outros streamings.
O que observar daqui pra frente
A Netflix deve detalhar mais casos de uso nos próximos meses.
O mercado acompanha se concorrentes vão revelar números parecidos.
A pergunta que fica é: você notaria a diferença numa cena feita com IA?