Se você acha que nada no universo pode ultrapassar a luz, um jato cósmico acaba de te desmentir — pelo menos na aparência.
Pesquisadores usaram inteligência artificial para reconstruir 27 anos de observações do jato do blazar 3C 345. O resultado revelou movimentos aparentes até 13 vezes mais rápidos que a luz.
O truque está na física relativística. E a IA foi essencial para enxergá-la com detalhes inéditos.
Por que esse jato desafia a física
O blazar 3C 345 é um objeto distante cujo núcleo abriga um buraco negro supermassivo. Ao atrair matéria, essa região libera enormes quantidades de energia e lança jatos de plasma a velocidades próximas à da luz.
Como um desses jatos aponta quase na direção da Terra, seus movimentos geram efeitos relativísticos que podem parecer mais rápidos que a luz. Esse é o chamado movimento superluminal aparente — um dos fenômenos mais intrigantes da astrofísica.
> "Movimentos aparentes até 13 vezes mais rápidos que a luz — sem violar a relatividade."
O problema: 27 anos em 116 imagens
Durante décadas, astrônomos registraram o comportamento do jato em apenas 116 observações feitas com radiotelescópios.
Cada imagem mostrava um momento isolado da evolução do jato. Isso dificultava analisar o que acontecia entre uma data e outra.
O desafio era reconstruir a dinâmica do plasma sem transformar intervalos sem observações em certezas sobre eventos que ninguém registrou diretamente.
Como a IA preencheu as lacunas
Segundo o Correio Braziliense, a pesquisa apresentou o algoritmo Kine, baseado em campos neurais.
O método foi aplicado a 116 observações realizadas entre 1995 e 2022. Em vez de tratar cada imagem isoladamente, a análise reuniu informações de diferentes momentos.
Isso permitiu comparar a distribuição de brilho e polarização do jato ao longo do tempo, produzindo uma reconstrução temporal contínua e de alta resolução.
Os resultados foram publicados na revista Nature.
Os dados principais
- Objeto estudado: blazar 3C 345, com buraco negro supermassivo no núcleo
- Registros usados: 116 observações entre 1995 e 2022
- Ferramenta: algoritmo Kine, baseado em campos neurais
- Publicação: revista Nature
O que ainda não está confirmado
Só que nem tudo está fechado.
A fonte não detalha os números exatos da reconstrução, nem os próximos passos da pesquisa. Também não há informação sobre acesso público ao algoritmo Kine ou às imagens reconstruídas.
O que se sabe é que a abordagem oferece uma representação mais detalhada da estrutura do jato e dos movimentos aparentes das regiões luminosas.
O que o jato do 3C 345 muda para a astronomia
Na prática, o estudo mostra como IA pode transformar dados esparsos, coletados ao longo de décadas, em filmes contínuos de fenômenos cósmicos.
Para astrônomos, isso significa extrair mais ciência de arquivos antigos — sem precisar de novos telescópios.
E você, o que mais os arquivos de 30 anos escondem?