Se você acompanha os gastos bilionários das big techs em IA, esse número vai te fazer parar.
O Google vai investir cerca de US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA só neste ano. E a executiva responsável pelo cheque diz que o pico ainda está longe.
A aposta de US$ 200 bilhões da Alphabet
Ruth Porat, presidenta e chief investment officer da Alphabet, confirmou o valor durante o Fortune's Most Powerful Women Summit.
O evento aconteceu em Santa Barbara, na Califórnia, nesta segunda-feira. Ela conversou com Alyson Shontell, editora-chefe da Fortune.
O número não é pequeno. Estamos falando de uma das maiores ondas de gastos corporativos já registradas.
> "A demanda por compute — pelo valor que nossos parceiros enxergam no enterprise, em governos, o que vemos em toda a plataforma — sugere que estamos no meio dessa construção agora."
A declaração foi dada à Fortune.
O que a Alphabet espera para o capex de 2027
Porat foi além do número atual.
Segundo ela, a Alphabet espera que os gastos de capital (capex) "aumentem significativamente" no próximo ano. A empresa continua, nas palavras dela, "capacity constrained" — ou seja, limitada pela capacidade física de seus data centers.
Traduzindo: a demanda cresce mais rápido do que a empresa consegue construir. Isso explica por que o cheque só aumenta.
Em julho, a Alphabet já havia elevado sua projeção de capex para 2026 para até US$ 205 bilhões. O dado está no relatório de resultados do segundo trimestre.
O pico ainda não chegou
A pergunta central do painel era direta: a indústria está no auge dos gastos com IA?
Porat desconversou.
"Vemos isso como uma oportunidade que se estende por bastante tempo", respondeu.
A resposta não crava datas. Mas sugere que a executiva não enxerga um teto próximo. É uma aposta de longo prazo, não um pico de curto prazo.
Wall Street não gostou
O mercado reagiu mal ao aumento da projeção em julho. As ações da Alphabet caíram mais de 6% no dia seguinte ao anúncio.
O sinal é claro: investidores ainda têm dúvidas sobre o retorno desses gastos. A Fortune já descreveu o movimento como parte de uma das maiores ondas de gastos corporativos da história.
Só que nem tudo são flores para quem aposta.
Quem é Ruth Porat
Porat não é uma executiva qualquer. Ela ocupa a posição número 11 na lista Most Powerful Women de 2026 da Fortune.
Antes de assumir o cargo atual em 2023, passou quase uma década como CFO da Alphabet. Antes disso, foi CFO do Morgan Stanley.
Hoje, ela supervisiona os veículos de investimento da Alphabet, incluindo GV e CapitalG. Também cuida dos "Other Bets" e dos investimentos imobiliários da empresa.
O contexto maior
O gasto do Google não acontece isolado. A corrida por infraestrutura de IA virou uma disputa entre as maiores empresas de tecnologia do mundo.
Cada uma tenta garantir capacidade de compute antes que a demanda estoure. É um jogo caro — e que ainda não mostrou retorno claro em receita.
O que ainda não está confirmado
Nem tudo foi respondido no palco.
A fonte não informa o valor exato do capex para 2027. Também não há detalhes sobre quais projetos específicos receberão os recursos.
Não está claro quanto do valor será destinado a data centers, chips ou aquisições. E a empresa não divulgou prazos concretos para quando a capacidade deixará de ser limitada.
Essas são lacunas que só os próximos balanços devem preencher.
Por que o investimento do Google importa para você
O gasto do Google não fica só na conta da empresa. Ele define o ritmo da infraestrutura que sustenta boa parte das ferramentas de IA que você usa.
Mais capacidade significa modelos maiores, respostas mais rápidas e serviços mais baratos. Menos capacidade significa filas, limites de uso e preços mais altos.
É por isso que o número importa — mesmo para quem não é acionista.
Próximos passos
O cenário é de expansão contínua, sem sinal claro de desaceleração. A Alphabet aposta que a demanda por compute vai continuar crescendo por bastante tempo.
Wall Street, por enquanto, observa com desconfiança. A pergunta que fica é até quando o mercado vai aceitar gastar mais do que ganha.
E você, acha que esse ritmo de investimento se sustenta — ou estamos diante de uma bolha?