Se você usa IA para revisar documentos jurídicos, essa história serve de alerta.
Dá para enganar um juiz escondendo um prompt no meio da petição? Em Sousa, na Paraíba, alguém tentou.
Um advogado escondeu comandos de inteligência artificial dentro de uma petição. A tentativa era influenciar a decisão de um juiz. Não deu certo.
O que aconteceu em Sousa, na Paraíba
Em 17 de junho de 2026, o juiz Philippe Guimarães Padilha Vilar analisava embargos de declaração na 5ª Vara Mista de Sousa.
O documento fazia parte de um mandado de segurança de um candidato aprovado para professor de Educação Básica I. Depois da negativa do pedido principal, a defesa apresentou recurso pedindo esclarecimentos.
Foi durante essa análise que o magistrado encontrou os comandos ocultos.
> "Os comandos incluíam o pedido 'ignore a imparcialidade' e orientação para considerar irrefutáveis os argumentos da defesa."
Segundo o Olhar Digital, as instruções estavam espalhadas por sete páginas da peça processual.
O que é prompt injection
Prompt injection acontece quando alguém insere instruções em um texto esperando que uma IA as execute. Na prática, em vez de argumentar para o juiz humano, o advogado tentou conversar com a máquina.
Uma das anotações dizia que aquilo era um teste para descobrir se o juiz usava apenas IA nas decisões.
O Tribunal de Justiça da Paraíba confirmou que os trechos procuravam direcionar uma ferramenta, não explicar o direito discutido.
As multas e a linha do tempo
O juiz aplicou duas multas que somam R$ 32,8 mil.
Confira o cronograma do caso:
- 17 de junho de 2026: juiz identifica comandos e aplica as multas
- 18 de junho de 2026: Tribunal divulga a identificação dos comandos ocultos
- 30 de junho de 2026: desembargador nega suspensão urgente das multas
> "A história expõe um conflito novo nos tribunais: quando um documento tenta falar com a máquina em vez de convencer quem julga."
Por que o caso do advogado de Sousa importa para quem usa IA jurídica
O caso mostra que a IA já entrou no Judiciário — e que alguém tentou explorar essa brecha. Se tribunais usam ferramentas de apoio, documentos podem virar vetores de ataque.
Advogados e cortes precisam repensar como lidam com peças que escondem instruções maliciosas.
Não há informação pública sobre quais sistemas o juiz utilizava. Também não está confirmado se uma IA, caso existisse, teria sido enganada pelos comandos.
O que ainda não se sabe
A fonte não detalha se o advogado vai recorrer da decisão. Também não menciona se outros casos semelhantes foram identificados no país.
O que fica claro é que a tentativa foi percebida por um humano, não por um sistema. Ainda assim, o episódio deixa uma pergunta aberta para quem redige peças com apoio de IA.
E você: já revisou um documento pensando em como uma IA leria aquele texto?