Portal de notícias ligado à OpenAI é totalmente gerado por IA
Relatório revela que publicação financiada por Super PAC ligado à OpenAI utiliza inteligência artificial para criar todo o seu conteúdo.

Enquanto o mundo discute a ética da inteligência artificial, uma operação silenciosa de influência parece estar em curso nos bastidores do Vale do Silício.
Um novo portal de notícias chamado The Wire by Acutus está no centro de uma polêmica sobre transparência e automação.
A publicação, ligada indiretamente à OpenAI, é quase inteiramente gerada por máquinas.
O que é o The Wire by Acutus?
O portal surgiu no final de 2025 com uma proposta aparentemente legítima de cobrir tecnologia, energia e ciência.
Segundo a fonte original, o site já publicou quase 100 artigos em diversas editorias.
Na página "Sobre Nós", eles descrevem o trabalho como "jornalismo colaborativo" liderado por uma suposta equipe editorial.
No entanto, não há nomes de jornalistas, editores ou qualquer expediente público no site.
> "De 94 artigos analisados, 69% foram sinalizados como totalmente gerados por IA, enquanto 28% eram parcialmente sintéticos."
A explicação oficial para o anonimato está escondida em uma subseção técnica do portal.
Eles afirmam que a equipe identifica temas e convida colaboradores para compartilhar perspectivas em conversas estruturadas.
Essas visões seriam então sintetizadas e editadas para criar as histórias finais.
A prova matemática do robô
O jornalista Tyler Johnston decidiu investigar a autenticidade desse conteúdo usando ferramentas de análise avançada.
Ele utilizou o Pangram, um detector de IA que promete uma precisão de 99,98% em seus diagnósticos.
Os resultados foram impressionantes e confirmaram as suspeitas de automação em massa.
Confira os dados da análise:
- Artigos analisados: 94 publicações
- Totalmente gerados por IA: 69%
- Parcialmente gerados por IA: 28%
- Escritos por humanos: Apenas 3 artigos
Essa predominância de conteúdo sintético levanta questões sobre a natureza do "jornalismo colaborativo" que o site afirma praticar.
Se a maioria do texto é gerada por modelos de linguagem, onde termina a edição e começa a criação artificial?
O viés editorial e a propaganda pro-IA
Além da origem técnica, o tom das matérias chamou a atenção de pesquisadores do setor.
O conteúdo é sistematicamente favorável ao desenvolvimento acelerado da inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, as publicações costumam ser agressivas ou desdenhosas com críticos da tecnologia.
Um dos artigos, por exemplo, alerta sobre o que chama de "Radicalismo Anti-IA em Escalada".
Outro texto questiona se os republicanos permitirão que estados democratas definam as regras da IA nos Estados Unidos.
Essa linha editorial parece desenhada para moldar a opinião pública e pressionar reguladores em Washington.
Exemplos de títulos tendenciosos
- "A urgência da soberania computacional"
- "Por que o medo da IA está atrasando a medicina"
- "O custo econômico da regulação excessiva"
Esses temas são centrais para o setor de Tech, onde a disputa por normas mais flexíveis é intensa.
A conexão política e o lobby
A investigação de Johnston foi além do código e chegou ao financiamento do portal.
O The Wire by Acutus possui pouca presença orgânica em redes sociais como o X (antigo Twitter).
Contudo, metade do engajamento da página vinha de uma única figura: Patrick Hynes.
Hynes é presidente da firma de relações públicas Novus Public Affairs.
A lista de clientes dessa empresa inclui a Targeted Victory, uma consultoria ligada aos esforços de lobby da OpenAI.
Isso sugere que o portal pode ser um braço de uma estratégia maior de comunicação política.
> "O site funciona como uma câmara de eco para interesses regulatórios específicos sob o disfarce de notícias isentas."
Essa estrutura permite que argumentos favoráveis à empresa sejam apresentados como jornalismo independente.
Na prática, isso dificulta a distinção entre informação factual e propaganda corporativa financiada por Super PACs.
O perigo da desinformação sintética
A existência de portais como este sinaliza uma nova era na criação de conteúdo online.
Com o poder de processamento atual, é possível criar centenas de artigos em questão de minutos.
Isso permite inundar o ecossistema de informação com narrativas específicas de baixo custo.
O uso de IA generativa já criou fissuras na percepção coletiva da realidade.
Hoje, é possível falsificar vozes de políticos ou criar cenários absurdos que enganam usuários menos atentos.
Quando essa tecnologia é usada para simular um veículo de imprensa, o risco para a democracia aumenta consideravelmente.
O veredito
O caso do The Wire by Acutus é um alerta para leitores e reguladores sobre o futuro da mídia.
A transparência sobre o uso de IA não deve ser um detalhe escondido em rodapés técnicos.
Se uma publicação é financiada por grupos de interesse, o leitor tem o direito de saber disso claramente.
A tecnologia deve servir para expandir o acesso à informação, não para camuflar estratégias de lobby.
Qual será o próximo portal a ser desmascarado por ferramentas de detecção?
Redação SWEN
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