França convoca Elon Musk para depor sobre deepfakes e crimes cibernéticos no X
Investigação em Paris apura o uso da IA Grok na criação de imagens ilícitas e falhas graves na moderação de conteúdo da plataforma.

81,4%. Esse é o tamanho do buraco que a moderação do X deixou na proteção infantil na França em apenas quatro meses.
O número assustador faz parte de uma investigação pesada do Ministério Público de Paris. Agora, a justiça francesa quer explicações diretas do dono da plataforma.
Será que o bilionário vai encarar os promotores ou ignorar mais uma convocação judicial?
O que é a convocação de Elon Musk
O bilionário Elon Musk foi oficialmente convidado a depor voluntariamente em Paris nesta segunda-feira (20). O objetivo é esclarecer crimes cibernéticos graves ocorridos no X.
> "Tudo o que for declarado é registrado oficialmente e pode ter consequências legais para os envolvidos."
Além de Musk, a ex-CEO Linda Yaccarino também recebeu o chamado. Outros funcionários da empresa devem ser ouvidos como testemunhas ao longo desta semana.
O formato do depoimento é conhecido como "audition libre". Na prática, Musk pode ser questionado sem ser preso, mantendo o direito de ficar em silêncio.
No entanto, a investigação segue o seu curso normal. Mesmo que Musk decida não aparecer, as provas continuam sendo acumuladas pela polícia francesa.
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A cronologia de uma crise anunciada
A pressão sobre o X não começou ontem. Tudo teve início em janeiro de 2025, com queixas sobre manipulação de algoritmos.
O início das suspeitas
As primeiras denúncias focavam em como a rede social entregava conteúdo aos usuários. O Ministério Público suspeitava de um favorecimento artificial de certas narrativas.
A escalada para crimes graves
Em julho de 2025, o caso subiu de nível. A divisão de crimes cibernéticos assumiu o inquérito, focando em problemas muito mais sombrios do que apenas algoritmos.
Em novembro, a investigação foi ampliada. Surgiram evidências de cumplicidade na distribuição de material de abuso sexual infantil e negação de crimes contra a humanidade.
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O papel explosivo da IA Grok
O ponto de ruptura aconteceu em janeiro de 2026. Foi quando deepfakes sexualmente explícitos gerados pela IA Grok inundaram a plataforma.
As imagens foram criadas sem o consentimento das vítimas e circularam livremente. Isso adicionou a acusação de distribuição de conteúdo sexual ilícito ao processo.

Os investigadores afirmam que a ferramenta foi usada para gerar discurso de ódio. Além disso, facilitou a criação de imagens sexualizadas envolvendo menores de idade.
A lista de crimes sob investigação pela Reuters é extensa e inclui:
- Extração fraudulenta de dados: Realizada por grupo organizado.
- Falsificação de sistemas: Manipulação de processamento de dados.
- Operação ilegal: Manutenção de plataforma online criminosa.
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O fim do sistema SAFER e as consequências
Uma decisão técnica tomada pelo X em 2025 é o centro da revolta dos promotores. A empresa decidiu abandonar uma ferramenta externa de proteção.
O sistema SAFER, amplamente reconhecido, foi substituído por uma solução interna da própria rede social. O resultado foi desastroso para a segurança.
Confira os dados citados pelo Ministério Público de Paris:
- Queda nos relatórios: Redução de 81,4% nos envios ao NCMEC.
- Período crítico: A falha ocorreu entre junho e outubro de 2025.
- Foco geográfico: Os dados referem-se especificamente a crimes cometidos na França.
Em fevereiro de 2026, a sede do X em Paris sofreu uma operação da Europol. Na época, a empresa de Musk chamou a ação de "encenada" e negou qualquer irregularidade.
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Conflito diplomático entre França e EUA
O caso agora ganha contornos de crise internacional. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) entrou na jogada para proteger o bilionário.
Segundo o Wall Street Journal, o governo americano enviou uma carta aos franceses. Eles se recusam a cooperar com a investigação.
O DOJ acusou a França de fazer uso indevido do sistema judiciário dos Estados Unidos. Musk comemorou a decisão em sua rede social.
> "Isso precisa parar", afirmou Musk ao comentar sobre a resistência americana em ajudar a justiça francesa.
Vale lembrar que Musk tem um histórico de ignorar convocações. Em setembro de 2024, ele faltou a uma audiência da SEC sobre a compra do Twitter.
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O que muda para você?
A convocação de Musk é um marco na regulação da Inteligência Artificial. Ela mostra que governos não vão mais aceitar a falta de moderação.
Se o X for condenado, a plataforma pode enfrentar multas bilionárias ou até bloqueios em solo europeu. A liberdade de expressão está em xeque.
Próximos passos da investigação
As autoridades francesas agora aguardam os depoimentos desta semana. Se Musk não comparecer, o processo pode avançar para mandados de busca internacionais.
De acordo com a fonte original, a empresa mantém a postura de que as leis francesas estão sendo distorcidas.
O veredito
O cenário para o X na Europa nunca foi tão perigoso. A mistura de IA sem controle e queda na proteção infantil é uma bomba relógio.
Não é apenas uma briga de Musk contra a França. É uma disputa sobre quem manda no conteúdo que consumimos todos os dias.
Qual será o próximo movimento do bilionário para evitar a justiça de Paris?
Redação SWEN
Equipe Editorial
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